sábado, 26 de dezembro de 2009

Um exemplo de Sorte

Estamos nos últimos dias do ano e, pra ilustrar uma das coisas que eu desejo pra todo mundo em 2010 - Sorte - eu trago uma coisa que aconteceu em 2008, mas que eu só fiquei sabendo agora.

Sabe a banda norte-americana Journey, que tem como principal sucesso a música "Don't Stop Believing"? Então, eles já tiveram vários vocalistas, sendo que o mais conhecido, Steve Perry, saiu da banda em 1998 e deu lugar a Steve Augeri. Com Augeri, a banda lançou dois CDs, em 2001 e 2005, mas o novo vocalista teve problemas pra seguir na banda.

Depois de muito procurar por substitutos, um dos integrantes (Neal Schon, o guitarrista) decide apelar pra uma ferramenta não muito usual pra esse tipo de escolha: o Youtube. Depois de alguns dias vendo uma série de cantores, Schon se deparou com um: Arnel Pineda, filipino, vocalista da banda The Zoo, que fazia cover da música "Faithfully" no vídeo.
O próximo passo era entrar em contato com Pineda: "Tentei entrar em contato pelo YouTube e ele respondeu, mas levou algum tempo para convencê-lo de que não se tratava de um impostor”, revela Schon.
Depois de alguma resistência em acreditar que era verdade, Pineda foi contratado e passou de cover para vocal do Journey, onde está até hoje.

Esse não foi o primeiro caso de vocalista de banda cover que consegue chegar na banda "coverizada": Tim "Ripper" Owens seguiu o mesmo caminho no Judas Priest, participando de dois álbuns da banda e servindo de inspiração para o filme Rock Star (2001).
Outro caso parecido foi o de Brian Johnson, do AC/DC. Após a morte de Bon Scott, Brian entrou para a banda australiana e gravou, logo em sua estreia, o Back In Black, maior sucesso do grupo até hoje.

Conclusão: se você canta (muito) bem, faça um investimento em 2010: monte uma banda cover, grave um show e coloque no Youtube. Quem sabe a sorte não bate na sua porta?


Vídeo que deu o emprego a Pineda:



segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Treminhão

"Treminhão: Meio de transporte pesado composto de uma unidade tratora , engatada em dois reboques, formando assim um conjunto de 3 carrocerias puxadas por um só caminhão. Muito encontrado nas terras de Pernambuco."

É trio, é pesado e é de Pernambuco. O nome caiu como uma luva para essa banda de... de... Jazz Fusion + Rock Progressivo + Baião, xote, maracatu e outros estilos regionais (não sei denominar isso). O grupo é formado por Breno Lira na guitarra, Ricardo Fraga na batera e Marcos Mendes no baixo. Essa galera leva uma carga mais do que preciosa pelas estradas do país: muito talento passeando de Alan Holdsworth ao Quinteto Armorial nas suas músicas.

Entre violas frenéticas como em Baião pra Edvaldo e Caboclo de Lança, e a harmonia envolvente de Peleja e Xote louco (que também traz seus solinhos fritados) o grupo sai atropelando sentimentos, nos dando uma overdose de musicalidade, feeling e técnicas. Tem cada coisa na sua medida certa. E dessa receita saiu a Panelada - segundo álbum deles, que venho aqui divulgar - mais saborosa de Pernambuco. Dentro dela podemos encontrar uma pitada de improvisos de Sagrama, Orquestra Popular de Recife e maestro Ademir de Araújo, Isaar de França, A trombonada, Guitinho da Coco Bongar, Maestro Spok, Publius e outros.

Treminhão não fica atrás de nenhuma banda de Jazz Internacional. Tenho orgulho deles por, mesmo tendo a capacidade de fazer um som nos padrões internacionais, sem regionalismo "tão queridinho pelos brasileiros" (imitação de riquinho falando com bico) eles resolveram por, sem perder a essência do Jazz, deixar falar alta a música do nordeste, casa deles.

Aí vai uma pitadinha:



Bate no peito e grita: éééééééééééé do Brasil...


01-Sertão
02-Baião pra Edvaldo
03-Caboclo de Lança
04-Xote Louco
05-Coco Violado
06-Arrasta-pé Quebrado
07-Peleja
08-Caboclinhos
09-Treminhão
10-1 de julho
11-Uma Piada
12-Malicunia
13-Sedna

[Victor Hugo é: ...uma cilada, Bino!]



quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Ver o que se come não é o mesmo que comer o que se vê...


Opaaaaaa! Calma aê, Saladeiros, não é o que vocês estão pensando (não mesmo!), é apenas uma frase conhecida (ou não) proveniente da produção da Disney "Alice no País das Maravilhas", que fora baseado no conto de Carroll, cuja cena em que esta frase aparece mostra a Alice e o Chapeleiro Maluco travando um debate acerca de inversos. Acontece que esta é a nova aposta do Burton para estréia nos cinemas.
Diferente do que todo mundo andava pensando por aí (ou pelo menos eu estava pensando até um tempo atrás), a Alice não terá sua história recontada em versão filme, Burton mostrará a Alice 10 anos depois de sua versão original, agora com 17 anos, onde a aventura começa quando ela foge de uma festa em Oxford por descobrir que está prestes a receber um pedido de casamento... E aí nos vem um deja vu: ela correndo atrás de um coelho branco e chegando ao País das Maravilhas. Acontece que ela simplesmente não lembra da primeira vez em que esteve ali.
O filme será em live-action até a chegada ao País das Maravilhas, que culminará num mix de animação 3D, captura por movimentos e a mais aloprada imaginação que Tim Burton se permitir ter, tudo isso com a magia Disney! O que em desenho animado ficou pra lá de alucinante (para não falar alucinógeno, hehe) promete ficar ainda mais vibrante nas mãos da dupla Burton & Depp Ltda.
 Além do Johnny Depp propriamente citado, que dará vida ao Chapeleiro Maluco, e da Mia Wasikowska, que interpretará a Alice, o filme contará com nomes como Helena Bonham Carter, Anne Hathaway e Michael Sheen. O filme que começou a ser rodado em Maio/2009 tem a estréia prevista para o dia 05 de março/2010, infelizmente nós brasileiros só teremos o gostinho em 16 de abril/2010.

Deixo o vídeo do trailer oficial, para já irmos entrando no clima:


É, por essa Lewis Carroll não esperava... E que venha 2010! =)


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Audioativo.com - Web Rádio Universitária

"Alôô vocêêê" que acompanha o Salada! Hoje eu tô aqui pra fazer uma propagandazinha...
Como muitos sabem, eu estudo jornalismo na Escola de Comunicação da UFRJ, carinhosamente chamada de ECO.
Mesmo com todas as limitações - que a gente sabe que são muitas - do sistema público de educação, a ECO tem vários projetos que servem como laboratórios pros alunos. Um deles é a Web Rádio Audioativo.
O intuito do projeto é exercitar a produção de conteúdo, por parte dos alunos, com a devida orientação e uma liberdade maior do que temos nas rádios comerciais. Assim, podemos experimentar novos formatos e, sendo uma web rádio, aliar ao produto sonoro todas as ferramentas que a internet nos proporciona.

Com a Audioativo já devidamente apresentada, tá na hora de fazer o jabá: um dos programas, o PodCrer, foi idealizado por alguns amigos meus e eu tô participando.
A ideia do programa, gravado às sextas, é fazer uma releitura das notícias da semana de uma forma mais descontraída, saindo do padrão da cobertura tradicional.
Ah, o nome é uma brincadeira com PodCast, antes que perguntem o porquê.
Até agora, temos duas edições do programa, que têm entre 30 e 40 minutos de duração, disponíveis no site da rádio.

Então fica aí o meu pedido: ouça, pelo menos o início. Se não gostar, a rádio ainda tem outros programas, todos feitos por alunos lá da ECO. Vale a pena uma conferida!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Stanley Jordan + 17

O americano Stanley Jordan, guitarrista famoso por usar as duas mãos no braço do instrumento - a chamada touch technique - está no Brasil pra uma série de shows, pelo visto pouquíssimo divulgados.

Além de nem você e nem eu sabermos dessa turnê, a maior amostra da má divulgação aconteceu hoje em São Paulo: o jazzista, que já recebeu disco de ouro por seu primeiro CD - "Magic Touch" (1985) - além de duas indicações ao Grammy com o mesmo disco e mais uma pelo seu último trabalho ("State of Nature", de 2008), tocou pra 17 pessoas num evento chamado "Quebrada Cultural", na zona leste da capital paulista.

Pra tentar fazer com que isso não se repita em solo carioca, aqui vão as próximas datas dele no Rio de Janeiro:

  • Dia 15/12 - Início 22:30h - Posto 8, em Ipanema - R$80,00 (comprando antecipado tem 50% de desconto)
  • Dia 16/12 - com Armandinho, em dois horários: 20h e 22:30h - Posto 8, em Ipanema - R$ 110,00 (comprando antecipado tem 50% de desconto)
  • Dia 18/12 - Início 21:30h - Lona Cultural Jacob do Bandolim - Jacarepaguá (fica na Praça Geraldo Simonard, s/n - Pechincha) - R$ 25 (inteira) / R$ 12,50 (meia-entrada para estudantes e idosos)
Link pra notícia do show de SP no iG.

Hangar - Infallible

Não é qualquer banda que substitui um integrante e consegue seguir no mesmo nível. Depois de bastante reconhecimento com o ótimo CD "The Reason of Your Conviction", Nando Fernandes, um dos grandes responsáveis pelo sucesso do álbum anterior, deixou o Hangar e foi substituído por Humberto Sobrinho.
A banda que revelou Aquiles Priester para o Metal nacional nos presenteou, na sequência, com o "Infallible" e suas belas músicas, com uma pegada diferente do disco anterior: ao invés de músicas tensas, relatando a mente de um serial killer, um álbum mais relaxado, com mais baladas.
Aliás, elas são o ponto alto do CD. "Solitary Mind" mostra todo o ecletismo do novo vocalista, que consegue dar força e suavidade à melodia nos momentos certos. "Time to Forget" é uma das melhores músicas que eu ouvi esse ano, não sai da minha cabeça há uns quatro dias. "Based on A True Story" é outra bela música, com outra bela participação de Humberto Sobrinho.
Outros pontos altos não são necessariamente baladas, como "Dreaming of Black Waves", que também é bem acessível e gruda bastante na cabeça.
Entre as mais pesadas, destaco "A Miracle in my Life", com uma bela performance do Aquiles Priester. "Some Light to Find my Way" é a mais parecida com as músicas do disco anterior, cheia de bumbos duplos e dobras de guitarra. "Handwritten" nos traz, mais uma vez, o ecletismo do novo vocalista, dessa vez flertando com o Thrash Metal.
Fechando o disco, duas covers: uma é "39'" do Queen. Acústica, bem diferente de todas as outras músicas do álbum.
A outra é inesperada: "Mais uma Vez", do Renato Russo. Com participação do Roupa Nova, o Hangar conseguiu fazer uma boa versão pra essa música, com vários coros e uma pegada diferente da original.

Resumindo: belo disco, algumas ótimas músicas. Vale a pena ouvir.

[Atualização: de acordo com a política de direitos autorais do Google, tivemos que retirar o link. Então, como eu e você obedecemos a lei, peça pra um primo baixar ilegalmente e ouça o conteúdo protegido por DMCA com ele. Ah, diz pra ele que é fácil de achar no 4shared. Obrigado!]

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Nacional Irracional?

Antes de mais nada vamos, de acordo com o Aurélio, esclarecer alguns termos:

cultura sf. 1. Ato, efeito ou modo de cultivar. 2. Fig. O complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições, das manifestações artísticas, intelectuais, etc., transmitidos coletivamente, e típicos de uma sociedade. 3. Fig. O conjunto dos conhecimentos adquiridos em determinado campo. § cultural adj.


sociedade sf. 1. Agrupamento de seres que vivem em estado gregário. 2. Grupo de indivíduos que vivem por vontade própria sob normas comuns; comunidade. 3. Grupo de pessoas que, submetidas a um regulamento, exercem atividades comuns ou defendem interesses comuns; grêmio, associação. 4. Meio humano em que o indivíduo está integrado. 5. Contrato pelo qual pessoas se obrigam a reunir esforços ou recursos para a consecução dum fim comum.

Fato que nosso meio social não chega nem perto do que parametraram como o melhor, "aaaah, porque na Europa...", sim, na Europa as pessoas não precisam de semáforo porque os motoristas param assim que vêem algum pedestre. Todos fazem isso? Talvez sim, talvez não, essa questão fica para outro momento, ou não. hehe. Quis levantar a nossa situação social para questionar: Deve-se ao nosso contexto de subcondições de vida o fato dos nossos artistas não serem valorizados? Porque sim, temos bailes funk todo sábado com a "rapeize só na maldade com as novinhas", temos também rodas de samba, assim como temos arrasta-pé, isso é questão cultural... E como cultura é algo tão amplo a ponto de me fazer não ousar definí-lo, retornem à minha referência ao Aurélio, em que está a definição de cultura.

Se tanto batemos no peito para falarmos que o Brasil é a terra mais bonita por sua multietnia, sua mistura e calorosidade, onde está o motivo raiz para preconceitos sociais? O fato de não gostarmos de algo não nos garante o direito de julgá-los ou diminuí-los à mediocridade. Entra aí então o meu foco: por que deixamos de lado algum filme à menor menção de ser brasileiro? Paulo Coelho escreve para levantar a auto-estima até de vira-lata e foi só lançar um filme gravado internacionalmente que meio Brasil se moveu para assistir, isso torna o roteiro menos brasileiro do que de algum outro roteirista nosso? É interessante como vejo as mesmas pessoas jogar pedra no nosso Sistema, em defesa de pessoas desfavoradas e em subcondições de vida e torcer o nariz para assistir algum filme que retrate nossa realidade nas favelas ou até mesmo subúrbios.

Dentro da nossa definição supracitada de sociedade podemos entender que temos uma gama de sociedades espalhadas por nosso país e é exatamente por isso que é prazeroso curtir a nossa cultura retratada em obras cinematográficas, teatrais, musicais, circenses e o que mais tiver que vir enfim, sentir o gostinho do Nordeste e dois segundos depois conseguir curtir qualquer outro cantinho do Brasil. Não pretendo mudar pensamentos e nem revolucionar a visão cultural das pessoas para com as nossas obras nacionais, mas fica a minha "campanha", quando conseguirmos enfrentarmos o tabu que nos prende à essa visão e conseguirmos, de fato, dar atenção e sentir o gostinho das nossas jóias, aí entenderemos que o que nos falta é nossa própria atitude.

Para ilustrar, fica o trailer de Polaróides Urbanas, um filmaço baseado na peça teatral "Como Encher um Biquini Selvagem", de Miguel Falabella, cuja direção é feita pelo mesmo! =P






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